O mundo como vontade humana e representação artificial
Desde os anos 90, trabalho com design e tecnologia e ao longo dessas décadas vi a evolução das tecnologias que hoje são tão comuns em nosso cotidiano. Lembro-me bem do Prompt de DOS, a tela de comando que nos permitia executar tarefas por meio de comandos digitados. Tudo era muito rudimentar, mas já era uma inovação na época e início do uso do computador pessoal como auxiliador dos processos humanos.
Hoje, a novidade efervescente são as Inteligências Artificiais (IAs) generativas, como o Chat-GPT, capazes de interpretar e gerar linguagem natural com uma fluidez impressionante. Essas IAs são capazes de aprender a partir de um grande volume de dados e aprimorar constantemente suas habilidades. Para nós, tudo se resume novamente ao prompt, pois é por meio dele que dialogamos e solicitamos respostas da IA. Desta forma, pra nós humanos, sobra a vontade ou necessidade de aprender ou produzir algo, enquanto para a IA, fica a tarefa de nos apresentar o conteúdo, segundo sua representação artificial da realidade.
Falar sobre vontade e representação traz à tona os ensinamentos de Schopenhauer, filósofo alemão que influenciou o pensamento ocidental do século XIX e, hoje, nos fazem pensar sobre a vontade humana e a representação do mundo artificial. Ele afirmou que “o mundo é a minha representação”, ou seja, a realidade é interpretada pela mente do indivíduo. Nesse contexto, a representação do mundo gerada por uma IA generativa é apenas uma interpretação, uma representação artificial, e não pode substituir a importância da interpretação humana do mundo.
Em um mundo cada vez mais dependente de tecnologia, devemos lembrar que somos nós, seres humanos, que damos significado a ele. A tecnologia, incluindo as IAs generativas, pode ser uma grande ajuda, mas não pode substituir a nossa capacidade de interpretação e de representação do mundo. Devemos continuar aprimorando nossas habilidades e aperfeiçoando nossas interpretações do mundo, sempre em busca de uma compreensão mais profunda e significativa da realidade diante de nós.
Como cristão, acredito que o mundo ganha significado não só pela interpretação humana ou de uma IA, mas primordialmente pela ação de Deus, o criador, que o fez com um propósito e o sustenta até hoje. Nosso contato com Ele e com sua revelação na natureza e em sua Santa Palavra, deve ressignificar nossa vontade e representação do mundo, muito acima de qualquer IA generativa que, em nossas mãos, é apenas mais uma ferramenta. É imprescindível continuarmos reinterpretando o mundo a partir de nossas mentes e de nossa vontade, em vez de nos deixarmos guiar exclusivamente pelas inovações tecnológicas.
‘Todas as coisas trazem canseira. O homem não é capaz de descrevê-las; os olhos nunca se saciam de ver, nem os ouvidos de ouvir. O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol. Haverá algo de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? …’ Eclesiastes 1:8-10
PS: Este texto foi escrito pela minha vontade e representação de mundo em diálogo com a representação artificial do Chat-GPT.
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