Todos vocês

Lá estava eu, com a Ju e nossa amiga Vana, em um evento repleto de pessoas de todas as idades. A princípio, parecia um evento comum, mas logo percebi algo extraordinário: ali estavam pessoas em diferentes fases de suas vidas. Andando pelo evento, encontrei meu primo com dezesseis anos, apesar de ele ter quase 50 hoje. Conversamos como se não houvesse décadas entre nós, revivendo a energia de nossa juventude. Logo depois, avistei meu filho, que hoje tem dezoito anos, com apenas uns quatro aninhos. Seu sorriso inocente e seus olhos curiosos me capturaram de longe. Fui ao seu encontro e o abracei com uma saudade intensa daquele pequeno menino que ele foi, contudo, sem esquecer o bonito rapaz que ele é hoje.

Então, acordei! Ainda emocionado pela experiência, refleti sobre como somos outros em cada fase da vida. As crianças que fomos, os jovens cheios de aspirações, os adultos em busca de propósito – todos esses “eus” se tornam uma espécie de antologia de quem somos. Cada momento, cada fase, cada versão de nós mesmos contribui para o ser humano de hoje. E, mesmo que não possamos, fisicamente, encontrar todos esses “eus”, podemos, através da memória e da reflexão, aprender a valorizar e amar cada um deles.

E, para além de uma visão ensimesmada, aprender a respeitar cada “eu” das pessoas que convivem conosco. Olhar e curtir as pessoas ao nosso redor em suas diferentes fases. Seus trejeitos, suas manias, suas risadas, seus desafios, suas capacidades e limitações – tudo isso que os molda e os transforma em outros. Os filhos que crescem apressadamente, os pais que envelhecem e se reinventam como podem e os amigos que nos acompanham em cada etapa de modelagem e remodelagem das personalidades.

Hoje, dedico este texto a todos vocês – todas as versões com as quais tive o privilégio de conviver, pois olhar para vocês, para fora de mim, me cura de meu egocentrismo, me ensina que há um mundo lá fora, em cada um, se modelando continuamente em todo seu esforço de existir. Esse olhar que cura é o demorar-se no outro para entender quem ele é hoje e quem tem se tornado. Esse olhar que é um desafio numa época onde somos incentivados a apenas nos vermos, como se a vida fosse uma sala de espelhos onde só existe o próprio eu.

Espero que possamos viver com a consciência de que o próximo também é um mosaico de muitas vivências, sempre em transformação. Que Deus nos ensine, como orou Moisés, a contar nossos dias e os dias do nosso próximo, de modo que conquistemos corações sábios e gratos por cada momento vivido com todos aqueles que nos rodeiam e que moldam nossos dias e nossas identidades, pois só Ele continua o mesmo, de eternidade em eternidade, como revelou ao profeta Isaías: “… vocês que eu carrego desde o ventre materno e que levo nos braços desde o nascimento. Até a velhice de vocês eu serei o mesmo e ainda quando tiverem cabelos brancos eu os carregarei. Eu os fiz e eu os levarei; eu os carregarei e os salvarei.” – Isaías 46:3-4 (NAA)


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