Falhas Estruturais

O edifício tem uma falha estrutural! Essa é uma daquelas frases fatais da Engenharia Civil. Significa que não adianta mais pensar em adornos e outros melhoramentos superficiais, uma vez que o prédio em questão está condenado em sua estrutura fundamental.

Mas não é de tijolos e vigas que eu estou falando. Estou falando de mim. Estou falando desta construção condenada, repleta de rachaduras e infiltrações impossíveis de serem reparadas de fora pra dentro. Estou falando de mim, mas sei que também falo de você.

Há mais de 15 anos, reflito e escrevo sobre a transformação do cristão à partir do encontro com Cristo, mas o fato é que uma hora a toalha precisa ser jogada. Em muitos pontos eu não vou mudar, nem você. As falhas são estruturais. A trinca não é superficial, ela vem de dentro e é por esta mesma trinca que ecoa a frase: Minha graça te basta!

Porque vida cristã é feita de vitórias e transformações surpreendentes, mas também é feita da aceitação de permanências indesejadas em você e em mim. Aceitação que nos humilha e nos mostra do que somos feito e o que ainda não alcançamos. Aceitar que a transformação em Cristo é muito mais passiva que ativa, pois é ele quem efetua em nós, tanto o querer, como o realizar.

Como lidar com as falhas? Atenuando-as. Caibros, apoios, cintas e amarras. Ferramentas paliativas que nos permitem ser mais razoáveis, compreensíveis e ensináveis, pois desenvolver consciência e aceitação nos move a estratégias que impedem o desmoronamento total da nossa conduta e o deslizamento completo do nosso caráter.

Como se alegrar nestas falhas? Reconhecendo o privilégio de ser usado e participante do Reino de Deus apesar delas. Perceber a ironia de se ver útil à partir delas, para a honra e a glória daquele que nos chamou, pois é fiel e justo para cumprir o que prometeu.

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